domingo, 22 de março de 2015

A Morte do Cisne, Austro Costa




Mil amores cantei. Fáceis amores...
Vagas quimeras... leves utopias...
Vãos devaneios de que enchi meus dias
Nos vinte anos azuis dos sonhadores...

Mil amores cantei... mas, entre flores,
Beijos, risos, promessas, fantasias,
Vi-os bater as asas fugidias...
Não me deixaram lágrimas, nem dores.

Este, porém, que se aprimora em pranto
E renúncia em minh'alma - estranho e santo
Amor, a que não trazes teu socorro

Este, sim! vale o canto que te ofereço.
Ouve-o, e guarda-o! Ele é teu. Será, decerto,
O meu canto de Cisne. Canto-o e morro.