quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Quarta-feira é dia de A Casa Materna, Vinícius de Moraes


    
Imagem: Regina Porto
Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se oculta num lugar que só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e úmido que os demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias que a mão filial, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste.
     É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem. Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras primaveras. As coisas vivem como em prece, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando as mãos maternas careciam sonhar.
     A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que o olhar filial admirava ao tempo em que tudo era belo: o licoreiro magro, a bandeja triste, o absurdo bibelô. E tem um corredor à escuta, de cujo teto à noite pende uma luz morta, com negras aberturas para quartos cheios de sombra. Na estante junto à escada há um Tesouro da juventude com o dorso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial  primeiro viu a forma gráfica de algo que passaria a ser para ele a forma suprema da beleza: o verso.
     Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos maternos a presença dos passos filiais. Pois a casa materna se divide em dois mundos: o térreo, onde se processa a vida presente, e o de cima, onde vive a memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa: roquefort amassado, ovos frescos, mangas-espadas, untuosas compotas, bolos de chocolate, biscoitos de araruta — pois não há lugar mais propício que a casa materna para uma boa ceia noturna. E porque é uma casa velha, há sempre uma barata que aparece e é morta com uma repugnância que vem de longe. Em cima ficam os guardados antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno oratório em frente ao qual ninguém, a não ser a figura materna, sabe por que queima às vezes uma vela votiva.      
       E a cama onde a figura paterna repousava de sua agitação diurna. Hoje, vazia.
     A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu violão dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como que se marca ainda na velha poltrona da sala e como que se pode ouvir ainda o brando ronco de sua sesta dominical. Ausente para sempre da casa materna, a figura paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos maternas se fazem mais lentas e as mãos filiais mais unidas em torno à grande mesa, onde já agora vibram também vozes infantis.

Fonte: Contioutra.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Segunda-feira Poética: O Mal e o Sofrimento, Leandro Gomes de Barros



Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”


Leandro Gomes de Barros:  poeta paraibano cuja obra foi usada por Ariano Suassuna em, por exemplo, O Auto d Compadecida. Leia sobre ele clicando aqui


Imagem e mais informações sobre o autor, clique aqui 

domingo, 13 de agosto de 2017

Recomendo: O Filme da Minha Vida

  Um Pai de Cinema de Antonio Skármeta conta:

    A bela e breve história do jovem professor de um povoado, Jacques. Seu pai, um forasteiro francês, abandonou a ele e sua mãe há vários anos. 
     Um dia, ao visitar a cidade vizinha para ir à primeira vez a um bordel, Jacques tem uma grande surpresa, e a explicação de tudo pode estar muito perto dele.(liv. Saraiva).  

Essa história simples, lírica e com sabor de café da manhã foi transformada em filme por Selton Melo e está nos cinemas. O Filme da Minha Vida traz Johnny Massaro fazendo o papel do jovem professor, Vincent Cassel é seu pai francês ( o ator é realmente francês) e o próprio Selton faz o papel do amigo do pai.

Ainda não li o livro, mas o filme me encantou pela singeleza, desempenho dos atores, beleza das paisagens e ternura.  Recomendo

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Eu Tambem Leio - Grupo para adolescentes,



GRUPO DE LEITURA PARA ADOLESCENTES ENTRE 14 e 17 anos.

Leitura de 1 livro por mês. Um encontro semanal para discussão do livro em questão.

Vagas limitadas. Livraria Única. Em Copacabana.
Telefone e faça a sua reserva:

ESPAÇO ÚNICA
Av. Nossa Sra. de Copacabana 1072/ 1205
Tels: (21) 2247-7895 ou 97190-9834
www.unicagestao.com

Se você não tem adolescentes na família, poderia por favor passar essa informação para quem você conhece com adolescentes?  COMPARTILHE!
--

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Nayyirah Waheed: A Americana do Momento no Instagram (1)

     Nayyirah, é uma jovem e reclusa americana que escreve boas poesias e é muito conhecida no Instagram.  Nayyirah Waheed fala muito e bem do que todos nós devemos ouvir: racismo, autoestima, feminismo.
     Como acabei de me encantar por ela, vou dedicar algumas segundas-feiras poéticas a Nayyirah Waheed.

Nota: A escritora tem dois livros: Salt e Nejma, ambos sem edição em português. 
Fonte: Jornal Nexo.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Segunda-feira poética: Oração Ao Tempo, Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo, tempo, tempo, tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Portanto, peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Imagem: Starry Night
Van Gogh - 1889

sábado, 5 de agosto de 2017

Lembram do Jovem Que Sumiu?

       Pois é...  
      O jovem de 24 anos, Bruno Borges, da cidade de Rio Branco - AC, cuja história de desaparecimento misterioso foi largamente divulgada,  lançou um livro que está vendendo bem. 
     Segundo a PublishNews, Teoria da Absorção de Conhecimentos está entre os 20 livros mais vendidos na categoria não ficção.   

      Não sei ainda se é um bom livro, não conheço ninguém que tenha lido.  Por enquanto, sei apenas que o jovem psicólogo fez um trabalho de marketing muito bem feito. Com uma história de suposto desaparecimento, criou uma curiosidade formidável.  
     Bruno começou agora a história de um novo escritor recluso?   
    Bruno, em algum momento, vai contar sobre seu sumiço?  
     Todos os volumes vão ser lançados?  O(s) mistério(s) vai(vão) sustentar a boa venda  ou o conteúdo é que vai garantir o sucesso do Bruno Borges?  

Alguém que tenha lido o volume lançado poderia me falar a respeito, por favor?

Sobre o suposto desaparecimento leia aqui  
Sobre o reaparecimento leia aqui
Sobre o volume lançado leia aqui

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Segunda-feira poética:Mea Culpa, Antero de Quental

Não duvido que o mundo no seu eixo
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto o seixo.
Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
Não chamo à existencia hora sombria;
Acaso, à ordem; nem à lei desleixo.
A Natureza é minha mãe ainda…
É minha mãe… Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir: se estou desesperado;
Se nada há que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza…
É de crer que só eu seja o culpado!

Antero de Quental, in “Sonetos”

sábado, 29 de julho de 2017

O Conto da Aia, resenha de Suzana Valença




O Conto da Aia faz pensar sobre os mecanismo da opressão


No começo do livro, conhecemos uma mulher sem nome. Ela vive como empregada de uma família e é obrigada a seguir uma série de ações diárias. The Handmaid’s Tale, ou O Conto da Aia, em português, começa mostrando só isso mesmo, a rotina sem graça da protagonista. Mas é, na verdade, uma história bem mais ampla e provoca o leitor a pensar sobre os artifícios usados para oprimir pessoas. Neste caso, mais especificamente, as mulheres.


O livro não oferece uma grande narrativa. Toda a trama vai se revelando enquanto a personagem fala dos seus dias. Mas, à medida que a mulher conta o que acontece ao seu redor e suas (poucas e estranhas) interações com as outras pessoas, vamos descobrindo que há algo de muito errado no mundo onde ela vive.


O mundo distópico da handmaid


Após alguns capítulos, a história começa a dar saltos no tempo que explicam o que está acontecendo. Os pulos fazem a trama variar entre o tempo presente, o passado na qual a protagonista está em um treinamento para as funções que exerce no tempo atual, e um passado um pouco mais distante no qual a vida ainda era normal.


     Aí entendemos que a mulher sem nome (só vamos saber sua alcunha artificial na metade da história) tem 30 e poucos anos e mora nos EUA. Mas o país está mudado. Se chama agora Gilead. Um grupo religioso tomou o poder e dissolveu as instâncias de regulação. É uma ditadura. O país está em guerra, não sabemos contra quem. E o povo deve seguir padrões de comportamento ditados pela religião e de acordo com as casta no qual está dividido agora. Os homens têm funções de poder. Ou são guardas das regras da nova sociedade, ou soldados, ou são commanders, aqueles que tomam as decisões. Mas os leitores nunca sabem exatamente o que eles fazem.


     As mulheres também estão divididas em classes. As esposas são cônjuges dos commanders (e apenas isso). As pobres são as econowifes. As Marthas trabalham na casa das esposas. E existem as hadmaids ou aias.

     Nessa realidade alternativa, as mulheres ficaram inférteis. As handmaid são as poucas que ainda podem engravidar. Então, elas são obrigadas a morar com uma família de commander + esposa para prestar esse “serviço”. Devem fazer sexo com os comandantes e dar o bebê para ele e a esposa criarem. A protagonista sem nome é uma handmaid.

     Essa história vai sendo contada nos pulos no tempo da narrativa, que é em primeira pessoa, com se fossem as lembranças da aia. No presente, acompanhamos as ações do dia a dia dela. No passado, aprendemos sobre sua família (marido, filha, mãe). E no passado um pouco mais recente, vemos como, após ter a filha roubada e o marido com destino incerto, ela é obrigada a ir para um "colégio interno" para mulheres onde recebe o treinamento (ou lavagem cerebral) para se tornar uma handmaid.


As agonias que o livro provoca


     Não é uma história fácil. O “futuro” do livro é muito próximo da nossa realidade. E a opressão absurda que as mulheres sofrem também parece só uma extrapolação de fatos muito familiares para a gente. Margaret Atwood escreveu o “Conto” em 1985. Ela diz que se baseou em declarações reais de fanáticos religiosos e que fez questão de colocar na narrativa apenas situações que aconteceram de verdade em algum lugar do mundo.


A primeira grande agonia que o livro provoca é essa: ele é realista.

     O choque de realidade está, principalmente, nos métodos usados para manter as mulheres submissas às novas regras. São poucos os relatos da violência necessária para que isso ocorra (embora a ameaça dela seja constante). Mas são muitas as descrições das ideias plantadas e das sutis (ou não tanto) pressões sociais que fazem com que todos obedeçam. Entre elas:

     A ideia de que tudo, de alguma forma, é culpa da própria mulher.

     O estímulo à rivalidade entre as mulheres.

     Há existência de um motivo maior para que a mulher seja submissa, (no caso do livro, não é uma vontade do governo, mas sim de Deus).

     A noção de que seguir as regras faz com que a mulher seja honrada.

     A noção de que seguir as regras “é o melhor” para as mulheres.

     A noção de que as regras não foram criadas para oprimir e sim para proteger as mulheres.

     O uso da revolta das mulheres oprimida contra os inimigos do governo (para que elas não se revoltem contra o próprio governo).


     A segunda grande agonia é que o livro de Atwood também é muito fiel em relação ao comportamento humano quando mostra as reações das pessoas aos absurdos contados. A história, mais uma vez, não é grandiosa. Não há grandes heróis e os grandes vilões estão diluídos. Ela não foca no macro da trama, mas sim, nos atos e, no caso da protagonista, nos sentimento, do cidadão comum. Desta forma, ela acaba provocando o leitor, também uma pessoa comum, a se perguntar o que aconteceria se regras absurdas e opressoras fossem impostas em nossa sociedade. Como nós, indivíduos normais, reagiríamos? O livro propõe respostas muito tristes exatamente por serem muito reais. 


The Handmaid’s Tale

Margaret Atwood

1985



The Handmaid’s Tale - a série de TV Hulu



Entrevista de Emma Watson com Margaret Atwood

O Conto da Aia, Margaret Atwood
The Handmaid's Tale, Margaret Atwood 


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Enquanto estou de férias...


Para manter os acessos enquanto estou de férias, programei a reapresentação de algumas postagens. Este conto foi escrito há quase 10 anos. Estava lá num cantinho e eu gostei de revê-lo.  Pode comentar, se quiser. Eu respondo quando voltar.




quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sugestão de Hoje: Nós Três.

 Saí de férias e optei por ficar dias felizes longe do notebook e celular. Mas para ninguém esqueça do blog deixo algumas sugestões de leitura:


 ↓

Ah, pode comentar se quiser. Quando eu voltar respondo, tá?

segunda-feira, 17 de julho de 2017

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Enquanto Estou de Férias...

Estou fazendo reapresentação de algumas postagens. Quando voltar das férias o blog voltará com novidades.





















http://livroerrante.blogspot.com.br/2017/06/quarta-feira-e-dia-de-regina-porto.html

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Quarta-feira é dia de: Inverno de Uma Semana, Porã.

     Sou daqueles que têm as piores impressões do inverno. Não me venha com esse papo de “inverno inesquecível”, porque pra mim não cola. Todos os invernos são “esquecíveis”. É muito frio. Não dá. Poderia ser uma semana só, que já tava bom.

     A estação gelada altera o humor das pessoas, e pra pior, é claro! São ondas intensas de mau humor em meio as massas polares. O bom dia, o sorriso, a gentileza ficam cada vez mais raros. Estamos todos carrancudos, contrariados, encarangados e retraídos por causa do frio. Não é uma estação simpática. Há quem goste e curta os prazeres do inverno.

     Vinho, chocolate quente, lareiras em chamas, fondues e viagens à Serra... Isso é muito pouco perto do desconforto que nos traz o frio. Até pra fazer amor fica mais complicado. Bom é ter dinheiro pra curtir o verão no Hemisfério Norte, mas infelizmente, ainda não o tenho.

     Acordar cedo é sacanagem. Faço isso de segunda à sexta, as 6h, por causa do Acorde com Porã na Atlântida, e não tem jeito de acostumar. Todo dia, nessa mesma hora, penso nas milhares de criancinhas que estão acordando pra ir ao colégio. É um absurdo! Quem foi o gênio que inventou uma coisa dessas, esse cara não tinha mãe, ou melhor, não haveria de ter filhos... Que maldade... A relação dos pequenos com a escola já começa problemática. As manhãs infantis deveriam ser reservadas para o sono, as brincadeiras e os desenhos animados.

     Caro leitor, se você não tem um chuveiro a gás com água quente e abundante, temos aí mais um pesadelo da estação. Os chuveiros elétricos de fabricação nacional não estão preparados para a geleira que se cria no sul do Brasil. Você pode comprar um que prometa água super quente, mas na prática terá um fio de água quente, com interrupções, pois eles, os desgraçados chuveiros elétricos, desligam quando esquentam.

     A verdade é que muito mais gente sofre, ao invés de aproveitar o frio. O inverno é implacável para os que não têm nada. É hora de solidariedade. De fazer aquela limpa no seu armário e resgatar aquelas roupas quentes e cobertores que podem ajudar muita gente. Debaixo de um cobertor tudo pode melhorar.

     Por isso é que prefiro o verão. Nada mais feliz do que um gordo de camiseta. O sol brilhando, pessoas dispostas, mulheres com pouca roupa, corpos bronzeados, chopes cremosos e gelados ao ar livre, praia e calor. Nasci no dia 21 de dezembro, marco oficial do início da estação mais quente e vibrante do ano. Talvez isso explique a minha aversão ao inverno. Sou quase um “Garoto Verão”. Meu sonho é o “endless summer”, o verão sem fim. Que venha o próximo, que talvez seja um dos últimos. Isso se o mundo for realmente acabar em 21 de dezembro de 2012, como dizem alguns por aí.

Porã - do grupo Pretinho Básico - Jornal Zero Hora - RS 
Imagem do site Sonora Agora

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Saio de férias, volto em agosto. Mas...

Amanhã viajo e fico afastada do blog, do notebook, usarei pouco o celular. Analógica, portanto, por uns bons, relaxantes e felizes dias.

Mas, para que você não dê com a cara  na porta do blog, deixo algumas sugestões. Aposto que você vai gostar.  Ah, deixe seu comentário. Respondo quando voltar.




 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

30 Melhores Livros Infantis de 2017


A Revista Crescer escolheu os 30 melhores livros infantis de 2017. Vamos ver quais foram?



Texto e Ilustração: Marilda Castanha
Faixa etária:  a partir de 3 anos.
A menina bem solitária, trazia seu amigo pela imaginação nas horas em que se sentia mais sozinha. Ela e sua imaginação viviam aventuras. O livro trata do amigo imaginário e sua importância. 




A Visita
Texto e Ilustração: Antje Damm
Faixa etária: a partir de 4 anos Elise é a personagem do livro que trata, novamente, da solidão e do medo. O aviãozinho de papel que aparece  em sua casa pode levá-la a se arriscar ... e se abrir sem medo.


Uma Criança Única
Texto e ilustração: Guojing
Faixa etária: a partir de 4 anos
Para quais caminhos a imaginação de uma criança solitária pode levar? Nesse livro-imagem da chinesa Guojing, eles partem do ambiente urbano e industrial e desembocam em um bosque onde coisas fantásticas acontecem. Assim, um cervo convida o menino a escalar as nuvens e uma baleia os engole, transportando-os para um estômago que parece um céu estrelado. Sem usar palavras, a autora imprime a sensação de solidão em uma história com ilustrações sensíveis. É também um trabalho autoral, já que a história é inspirada na própria chinesa, filha única por imposição da política de natalidade na China. Mas, acima de tudo, um livro sobre magia e encantamento e o valor de voltar para casa quando estamos perdidos.



Texto:Blandina Franco - Ilustração:José Carlos Lollo
Faixa etária: a partir de 4 anos.
 
Todo mundo tem algo a dizer sobre o Ernesto, e nunca é nada bom. Falam que ele é diferente, esquisito, burro, feio, calado... Ernesto não responde nada. E o livro quase acaba aí, com o personagem triste e solitário. Na vida real, muitas histórias terminam exatamente assim. Mas não precisa ser dessa forma, propõem os autores. Então, depois de decretar no meio do livro a palavra “Fim”, Blandina Franco e José Carlos Lollo provocam o leitor, fazendo-o refletir sobre como finalizar essa e outras tantas narrativas verdadeiras de forma diferente



Texto: Eucanaã Ferraz
Ilustração: Eucanaã Ferraz e Raul Loureiro
Faixa etária: a partir de 6 anos 
Dá para fazer poema sobre um prego? E que poesia tem um canivete? Será que um martelo merece versos rimados? Nesse livro, até os objetos mais duros e simples do cotidiano podem virar poesia. Assim, o autor faz 66 poemas de vários tamanhos e variados graus de dificuldade, em uma leitura que pode envolver a família toda, sobre itens comuns do dia a dia. E tem um projeto visual lindo. É cada coisa...

Texto:Fabrício Valério
Ilustração:Bruna Assis Brasil
Faixa etária:a partir de 3 anos
Já viu uma menina numa bicicleta parar o trânsito de uma cidade? O guarda apita, o condutor do ônibus freia, o taxista grita e, nessa confusão, um pedestre aproveita que o ritmo frenético parou e o caminho está livre. O livro traz um cenário cotidiano, mas com a divertida fórmula de repetir a situação acrescentando um novo elemento, como as crianças tanto gostam de brincar.


Sem Fim
Criação e ilustração:Marilda Castanha
Faixa etária: a partir de 3 anos
No princípio eram apenas ele e a árvore. Ele abria os braços, ela também. Jogava as mãos para a esquerda, ela lançava suas folhas para a mesma direção. Dançava daqui, ela dali. Tudo parecia em perfeita harmonia, dois organismos vivos interagindo, até que algo inesperado acontece. Ele abre uma caixa e pega um machado. A árvore teme o pior... Será que aquela linda amizade acabará assim? Ainda bem que, de finais felizes, os livros estão recheados. Sem dizer uma palavra, Marilda Castanha mostra nesse livro-imagem como a convivência entre homens e natureza pode ser pacífica e se renovar.


Um Dia, Um Rio
Texto: Leo cunha - Ilustração: André Neves
Faixa etária: a partir de 5 anos
 Um dia, um rio é um lamento, um grito de socorro tardio de um rio indefeso que não tem como reagir ao ser invadido pela lama da mineração que destrói suas águas e as vidas que abriga. O livro traz a fala doce e amargurada de um rio que perdeu sua vocação e sua voz e que por isso lamenta sua sina como se cantasse uma triste modinha de viola, recordando o tempo em que alimentava de vida seu leito, suas margens e as regiões por onde passava. Com lirismo e contundência dialoga sobre o desastre ambiental que abalou a Bacia do Rio Doce, em 2015. O mesmo trágico destino que segue destruindo a vida de muitos rios brasileiros.


Texto:Maurício Meirelles - Ilustração:Odilon Moraes
Faixa etária: a partir de 8 anos

Impossível não ficar do lado do menino nessa história... Obrigado a seguir com o pai e com o irmão mais velho para uma caçada, o garoto vai morrendo de medo de encontrar uma onça e torcendo para não caçarem nenhum animal. Mas um cervo atravessa o caminho, é fêmea, está prenha. O pai vai atirar. Birigüi não quer ver, mas o que ele pode fazer? Essa é a vida do sertanejo e, se ele atrapalhar, vai ser considerado um fraco pelo pai... Uma história tensa, comovente e com ilustrações lindas, feitas apenas com grafite e tinta branca sobre papel pardo.


Texto e ilustração: André Neves
Faixa etária: a partir de 6 anos

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Será que todo mundo pensa assim? Nuno, o menino desse livro, não sabia que podia encontrar poesia e histórias em cores, contornos e desenhos. Ele apenas desenhava. Um dia, conheceu Nina, que tinha o dom das palavras. Mas ela não conseguia enxergar que os rabiscos de Nuno eram recheados de coisas incríveis – e de poesias em forma de ilustração. Um ótimo livro para mostrar às crianças que há diferentes maneiras de se contar uma narrativa, chamando a atenção para a leitura visual tantas vezes relegada a segundo plano.

Texto: José Saramago - Ilustração: Jota Borges
Faixa etária: a partir de 7 anos
Com ilustrações em xilogravura, o livro traz a história de um lagarto enorme que surge em Lisboa e provoca histeria. Muita gente tenta conter o bichão, mas ele só é domado quando aparecem as fadas. Seu filho não acredita nelas? Talvez precise ler esse livro, que traz uma série de palavras e referências portuguesas.

Texto e ilustração: Roger Mello
Faixa etária: a partir de 5 anos
Griso era o último unicórnio vivo. E não se conformava: queria encontrar outro igual a ele. Nesse livro, além da reflexão sobre se precisamos ser iguais para pertencer a algum lugar, o autor propõe uma viagem pela história da arte. A cada página, surge uma ilustração com referências às pinturas rupestres, aos vasos gregos dos séculos 6 e 5 a.C., à arte indiana do século 18...


Texto:Isabel Diegues, Márcia Fortes,Mini Kerti e Priscila Lopes - Ilustração:Juliana Montenegro
Faixa etária: a partir de 7 anos
A proposta é incrível: mostrar como foi diversificada a arte no nosso país nos últimos 100 anos. E propor 100 brincadeiras inspiradas na produção de cada artista, para que as crianças também comecem a enxergar as várias formas de pensar a arte.

Texto e ilustrações de Jean-Claude Alphen,
Faixa etária: A partir de 3 anos.
Adélia mora em uma casa no campo. Durante o dia, ela brinca com seus irmãos, mas à noite, quando todos estão dormindo, acontece algo bem estranho… Adélia se enche de coragem e, sozinha, percorre um longo caminho até chegar ao local que guarda aquilo que mais ama os livros e sua nova amiga.


Texto de Augusto Massi e ilustrações de Daniel Kondo,
Faixa etária: a partir de 4 anos.
Esse é um livro cheio de monstros, mas as crianças vão se divertir. Além das ilustrações das feras, há informações cinematográficas sobre elas e referências de vários filmes para agradar do avô ao neto. E uma brincadeira bacana: os corpos das criaturas estão separados em três partes e a criança pode combinar cabeça de uma, tronco de outra e pés de uma terceira, criando seu próprio ser do mal.


Texto e ilustrações de Pri Ferrari.
Faixa etária: A partir de 3 anos.
Essa é uma obra feita de muitas coisas de meninas, e de tudo o que elas podem fazer se quiser. Tem aquelas que pilotam avião e até dragão, outras que constroem cidades. Todo mundo deveria ler mais livros como esse, porque é ainda na infância que a sociedade começa a impor seus padrões de comportamento


Texto de Karina Schaapman e fotos de Ton Bouwer, 
Faixa etária: a partir de 3 anos
Sam e Júlia são ratinhos amigos e moram na mesma mansão. Ele tem uma família grande, a dela é pequena. Ele é medroso e tímido, ela, curiosa e corajosa. Mesmo diferentes, são amigos e vivem várias aventuras dentro da casa – cada uma separada em uma pequena história. Aos poucos, as crianças vão descobrindo que, neste mundo de diferenças, não há nenhuma de fato.


Criação e ilustrações de Fernando Vilela, Faixa etária: a partir de 2 anos.

Com pouquíssimas palavras, sendo parte delas em inglês, Fernando Vilela conta a história de um cachorro e uma gata que saem da China de navio, sem planejar, passam pela Inglaterra, param no Brasil e retornam ao seu lar. Com essa viagem, o autor revela também como o mundo todo está interligado, o comércio que se estabelece entre os diferentes países, e conta um pouco mais sobre cada cultura.


Texto de Jairo Buitrago e ilustrações de Rafael Yockteng.
Faixa etária: a partir de 4 anos.

Pelos inocentes olhos de uma menina, o leitor é convidado a fazer uma viagem em busca de uma vida melhor. A garota e seu pai largam sua casa e partem em uma aventura que passa por muitos perigos, para tentar encontrar uma sobrevivência mais digna em outro lugar. Essa história pode ser a de milhares de refugiados ou imigrantes, que, movidos pela esperança de oferecer condições melhores para os filhos, confiam em coiotes para fazer a arriscada travessia.


 A Viagem
Texto e ilustrações de Francesca Sanna.
Faixa etária: a partir de 5 anos.
O horror da guerra em um livro sensível sobre imigração e refugiados. Uma família que vivia tranquila até que a escuridão do conflito chegou à sua casa, levando embora seu pai. O medo e a tentativa desesperada de encontrar um lugar seguro em uma jornada longa, repleta de incertezas. Uma narrativa triste e tão necessária nos dias atuais, para falar sobre diversidade e empatia, com o traço leve e colorido da ilustração da italiana Francesca Sanna. Essa, que é sua primeira obra, é baseada na experiência que a autora teve com crianças refugiadas na Itália


Texto de Rosa Amanda Strausz e ilustrações de Natalia Colombo.
Faixa etária: a partir de 4 anos.

Tudo parecia perfeito na vida do príncipe até que um dragão apareceu e, com o fogo de sua boca, dividiu o reino de seus pais em dois. Demorou para a fumaça baixar e ele perceber a confusão. Agora, existiam duas ilhas – em uma vivia a mãe, na outra, o pai – e tudo estava dividido ao meio, até seu cachorro. A vida pela metade ficou triste... Mas, aos poucos, a mãe e o pai conquistaram objetos inteiros novamente e o mar que separava as duas ilhas voltou a ficar calmo e o céu azul. Uma bonita história sobre a separação de um casal, que traz conforto ao saber que, uma hora, tudo passa e fica bem novamente.

Drufs
Texto e ilustrações de Eva Furnari
Faixa etária: a partir de 4 anos.

A escritora Eva Furnari faz um convite irresistível ao mundo da imaginação em Drufs, que fala sobre seres bastante parecidos com os humanos. Há muita maluquice no meio, como ela gosta de criar: nomes esquisitos, palavras inventadas, profissões estranhas, como “coisólogos” e limpadores de casas mal-assombradas, ilustrações hilárias feitas nos dedos, acontecimentos interessantes e desinteressantes sobre as famílias dos alunos da professora Rubi e lições de casa bem doidas para as crianças tentarem fazer. Mas o livro não é apenas uma grande brincadeira. Ao contar a história de cada aluno, Eva mostra como família é um conceito amplo e conquista o coração do leitor de um jeito despretensioso. Tem família com pai e mãe, com dois pais ou duas mães, com pais separados ou viúvos, com muita ou pouca gente, com ou sem animal de estimação, cada uma igual apenas em uma coisa: nas suas próprias loucuras.


Texto de Ilan Brenman e ilustrações de Anna Laura Cantone
Faixa etária: a partir de 4 anos.

Na sua família também deve ser assim: seu filho faz uma pergunta, que puxa outra e outra, e, então, você se vê sem respostas, pois ele ainda tem muito o que perguntar. Na casa do escritor Ilan Brenman, os questionamentos da filha viraram esse livro. A curiosidade da menina fez ele ter de responder sobre a invenção da guerra, do homem, do sol, da tristeza... Certamente, você e seu filho vão se identificar!
  
Este é o Lobo
Texto e ilustrações de Alexandre Rampazo
Faixa etária: A partir de 3 anos

Ele é feroz. Mau. Engoliu a vovó. Quis matar Chapeuzinho Vermelho. Mas, de longe, não parece tão horrível assim. O que será que ele pensa lá no fundo de seu coração animal? Aos poucos, em uma tomada cada vez mais afastada, o lobo vai aparecendo menor, menos amedrontador. Às vezes, precisamos tomar distância para olhar para as situações sob outras perspectivas. Afinal, talvez esse lobo só queira uma chance para que as crianças o vejam de outra forma.




Texto e ilustrações de Ivan Zigg.
Faixa etária: a partir de 3 anos.

Quer saber como fazer um elefante caído levantar rapidinho? Nessa obra, muitos elefantes amigos – e desconhecidos – daquele que caiu queriam saber. O primeiro tentou empurrá-lo e puxá-lo. Não deu certo. Decidiu chamar reforços, mas, a situação só piorava. Quando já não havia esperanças para o pobre animal no chão, chega um bicho fracote que dá um jeito de levantar o gigante.

   

Texto e ilustrações de Susanne Strasser.
Faixa etária: a partir de 2 anos.
Neste livro, um urso avista um bolo. Ele parece muito apetitoso. Mas, puxa, está bem lá no alto... Como o urso vai conseguir pegá-lo? Um livro para crianças bem pequenas em que se mostra o quanto é bom poder contar com a ajuda dos amigos — e de acontecimentos inesperado


Jacaré, Não!
Texto de Antonio Prata e ilustrações de Talita Hoffmann. Faixa etária: A partir de 2 anos.
Como o título já denuncia, Jacaré, Não! não é um livro para jacarés e, mesmo não sendo sobre esses répteis, acaba sendo todinho a respeito deles. O jacaré bem que tenta aparecer em todas as atividades do cotidiano da Luiza: na roupa, na brincadeira, no banho, na mochila da escola, no prato de comida... Mas nenhum desses lugares é lugar para o bicho. Parecia mesmo que ele não encontraria seu espaço nessas páginas, mas, então, Luiza vai dormir e, opa! Jacaré, sim! Uma engraçada e colorida brincadeira para as crianças pequenas. 
Um Abraço Passo a Passo
Texto de Tino Freitas e ilustrações de Jana Glatt, Faixa etária: a partir de 1 ano.
Nessa história de linguagem simples e supercolorida, um bebê aprende a andar. Uma pernada de cada vez, para expectativa de quem está à sua volta. Às vezes, sai um passo de formiga. Outras, de avestruz. Contudo, ele segue firme no seu propósito, apesar da falta de jeito. Um livro para acompanhar os primeiros passinhos e as primeiras leituras.

Resgate Animal
Criação e ilustrações de Patrick George.
Faixa etária:A partir de 1 ano.
Nas páginas à direita, animais abandonados na rua, presos em jaulas, confinados em granjas... Do lado esquerdo, um desenho incompleto. No meio, uma lâmina de acetato transparente que pode transformar tudo: basta o leitor movê-la para a esquerda para resgatar os bichos da cena degradante e devolvê-los à natureza ou ao lugar onde deveriam estar. Um livro singelo e divertido.


Tombolo do Lombo
Texto e ilustrações de André Neves.
Faixa etária: a partir de 3 anos.
A história, inspirada na celebração do Bumba Meu Boi, uma das festas mais populares do Brasil, é uma grande brincadeira. O autor cria sua versão do Tangolomango, uma cantiga popular composta de versos com temática infantil que fazem uma contagem decrescente. Nove músicos começam em cima do lombo do boi. Mas sobrará só um ao final: aquele que desejou comer a língua do bovino. Enquanto o boi pula e o jogo de palavras evolui, os personagens vão tombando das costas do bicho – e os leitores acompanham o movimento, virando o livro de cabeça para baixo e desvirando. As ilustrações foram realizadas com graça e poesia. É fácil notar elementos que remetem à cultura nordestina, sempre presente na obra do autor.

Fontes: Revista Crescer, Livraria Travessa, Livraria Cultura e Saraiva